Obras e historiadores se contradizem ao falar da origem do samba. É realmente difícil dizer com precisão quando, como e onde nasceu esse ritmo. Mas um livro lançado pela prefeitura de Petrolina nos traz uma noção sobre a pré-história desse antigo movimento.
Segundo o autor, a pré-história do samba começou com duas tribos: os Curumbás, do interior do Nordeste, na época da seca do Sertão, iam para o litoral com o intuito de ganhar dinheiro, e para festejar a colheita eles levavam viola e dançavam o “semba”, como era chamado. E com os Amocreves, que levavam especiarias para vender no litoral, principalmente em Goiana. À noite, quando acabavam o trabalho, também dançavam o “semba”.
Existe uma gramática na língua Cariri de 1699, que já falava do samba. O contato com o negro, que possui um grande potencial de assimilação, fez com que o samba ganhasse mais “beleza”, incluindo nele as palmas e a umbigada. “Todo engenho tinha uma roda de samba. Com os negros, ele ganhou o atabaque, a cuíca e o gongo”.
Um fato importante é que os índios e caboclos desceram para o Sul pelo interior e os negros difundiram esse ritmo pelo litoral. Chegando no Rio de Janeiro, o ritmo cresceu, e em 1917, A música “Pelo telefone“, de autoria de Donga (Ernesto dos Santos) foi o primeiro samba gravado e registrado, fazendo com que o samba fosse considerado como gênero musical. Posteriormente a letra foi atribuída a Mauro de Almeida.
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Linha do Tempo do Samba
1920
- O samba firma-se no mercado musical (indústrias de discos, teatro de revistas e bailes carnavalescos) por intermédio dos compositores Sinhô (José Barbosa da Silva) e Caninha (José Luiz de Morais).
- Nasce o samba como conhecemos hoje, nos blocos carnavalescos surgidos nos bairros cariocas Estácio e Oswaldo Cruz, e nos morros da Mangueira e São Carlos. Para adaptá-lo à caminhada dos blocos, os percussionistas davam ênfase ao tempo forte do ritmo, aproximando-o da marcha.
- Participaram dessa transformação, ligada ao nascimento das escolas de samba: Rubens e Alcebíades Barcelos, Ismael da Silva, Nilton Bastos (Estácio), Cartola (Mangueira), Antenor Gargalhada (Salgueiro) e Heitor dos Prazeres (ligado a várias escolas de samba).
1930
- O novo tipo de samba foi assimilado por artistas da classe média, que ganharam destaque no gênero, como Noel Rosa, Ari Barroso e Antônio Almeida.
- Dissociados do carnaval, surgem o Samba-canção, o Samba-choro, o Samba de Breque e o Samba-Enredo, esse último usado em desfiles de escolas de Samba.
1940 / 50
- Destacam-se como compositores de sambas Atalfo Alves, Wilson Batista e Geraldo Pereira, esse último responsável pelo desenvolvimento e fusão melódico-poética dentro do samba.
- No final dos anos 50, a Bossa Nova trouxe para o samba elementos harmônicos da música norte-americana.
- Destacam-se nessa fase, entre outros: João Gilberto e Antonio Carlos Jobim.
- Início da presença universitária na música popular brasileira, marginalizando os compositores mais ligados às raízes dos samba. O ritmo continuou a ser cultivado em sua forma tradicional nos morros e camadas mais pobres da população, especialmente no Rio de Janeiro e Salvador.
1960
- Em 1966, o Show Rosa de Ouro revelou ao público nomes como Clementina de Jesus, Elton Medeiros, Nelson Sargento, Jair do Cavaquinho e Paulinho da Viola.
- Outros, veteranos, foram beneficiados com a revalorização do samba tradicional: Cartola, Nelson Cavaquinho, Zé Kéti, Candeia e o baiano Batatinha.
1970
- O Samba adquire dimensões mais amplas e pela primeira vez em sua história se transforma em produto de alta cotação no mercado de discos , sem vinculação ao período carnavalesco.
- O compositor e cantor Martinho da Vila atinge as maiores marcas de vendas de discos de toda a história do gênero. Outros que foram beneficiados pela revalorização do samba foram: Alcione, Beth Carvalho, Clara Nunes, Jovelina Pérola Negra, Roberto Ribeiro e os compositores João Nogueira, Nei Lopes e Wilson Moreira.
- Ainda na década de 70, Beth Carvalho começaria a freqüentar as rodas de samba do Bloco Cacique de Ramos, onde descobriria o emergente movimento do Pagode.
1980
- A partir do bloco carnavalesco Cacique de Ramos, no Rio de Janeiro, o grupo Fundo de Quintal tornou-se uma referência no estilo original do pagode. O grupo teve Beth Carvalho como madrinha e se caracterizou por usar instrumentos até então pouco comuns em rodas de samba, como o banjo, o tam-tam e o repique de mão.
- Ainda nessa década destacaram-se grandes intérpretes como Leci Brandão, Zeca Pagodinho, Bezerra da Silva e a dupla Arlindo Cruz e Sombrinha, entre muitos outros.
1990
- O rótulo Pagode seria usado nessa década para denominar uma espécie de samba-pop inspirado na balada romântica que geraria, a partir do sucesso de grupos como Raça Negra, Negritude Jr., Art Popular e Só pra Contrariar, entre outros.
Fonte: Tacti













